BOLA DE SABÃO

Uma bola de sabão
Voando, poisou suave
naquela mão
Sem sopro, sem aragem,
vagarosamente dançou,
fez uma elipse tonta no ar,
amarfanhou-se, esticou-se,
revirou-se em movimentos
compassados e lentos
e depois de ter sorvido
suaves tragos do elixir
adocicado do arco íris   
soltou-se do cordel...
E a rapariga de cabelos lisos
desgrenhados e escorridos
desventrada de esperança
ali estava de sorriso discreto
esperando o tilintar do pão
no prato de plástico vermelho.
E a rapariga de cabelos negros
despenteada por desilusões
tentava agarrar os sonhos
deitados aos céus
com coragem desmedida
e a esperança de uma nova vida.

(Dedicado a uma amiga)

3 comentários:

  1. Anónimo29.8.10

    Gostei das voltas desta bola de sabão e dos sonhos que transporta...
    Fantástico poema.

    Beijo amigo

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  2. *
    uma bola de ternura,
    na essência das tuas palavras !
    ,
    serenas brisas,
    deixo,
    ,
    *

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  3. Anónimo31.8.10

    Como são fragéis e belas as bolas de sabão...
    Recordam-me as que fazia na minha infância e que via subir e evoluir da janela do 1º andar da minha casa em Lisboa.
    Eram um sonho colorido que depois de algum tempo desaparecia....mas, logo em seguida outro surgia.
    Bjns e obgda.

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Caíram aqui estas pétalas