LIBERDADE

De esperança se falar
De mesmo sem voz cantar
De no vento madrugar
De ter o mar a brilhar
De cheirar o sol n’olhar
De p’la janela voar
De que flores me enfeitar
De nas estrelas sonhar
De na lua navegar
De o céu incendiar
Com olhos de realidade
Conquista de eternidade
Ser verdade a liberdade.

GESTOS QUE O HOMEM NÃO LÊ

As águas nascidas
límpidas das entranhas da terra
o Homem as turvou.
As montanhas arborizadas
fontes de verde sombra e puro ar
o Homem as queimou.
Os campos semeados
férteis de pão e papoilas
o Homem os empestou.
Os céus difusos
brilhantes de anil e sol
toldaram-se de nuvem e cinza
o vulcão cuspiu o fogo
E no julgamento da vida
Inocente só a Natureza
No banco dos réus o Homem
Sentença: CULPADO



PRINCIPEZINHO


Conheci-te nas palavras de Saint- Exupéry…
Sonhei-te em noites altas e brilhantes
Com a lua deitada num berço de estrelas.
Concebi-te num leito de alegria e paixão
Envolta na sensualidade de linho e alfazema.
Esperei-te com a beleza de uma flor e o calor
Do sol caindo em tarde de quase Primavera.
Embalei-te no meu seio de meigo e doce mel
Afagando o teu olhar com os meus lábios.
Ensinei-te a crescer, rasgar o medo e ir além
Sofrendo ausências de manhãs sem te acordar.
Cresceste em valores sólidos de homem livre
Sendo o alicerce da minha casa em terramoto.
E és das histórias que te contava ao adormecer
Não a memória mas o real e verdadeiro
Meu filho tu és o meu Principezinho.

VOLTAR ÀS NUVENS

Por vezes apetece-me voltar às nuvens
andar a vê-las com as mãos
Ontem li-as, hoje escrevi-as
São leques de tempo espelhadas no espaço
No seu campo fértil são restos de baús
para se guardarem épocas 
locais e memórias
e onde deixo que habitem
fadas ou fantasmas, demónios ou deuses
Nelas apalpo experiências alucinantes e
guardo vestígios de sobrenatural.
Nuvens são exalações do meu pensamento
vaporizadas no azul do Olimpo
onde gosto de voltar
sempre que o olhar me dá tempo.

CONVERSAS COM ESTRELAS


Sentei-me na varanda do serão
Para ouvir a minha noite passar
A lua acendeu uma constelação
E eu embalada pus-me a vaguear

Ouvi estrelas contarem em segredos
Histórias de fadas, duendes e dragões
De moiras encantadas seus degredos
Almas tristes e desfeitos corações

Castelos com ameias desmoronadas
Princesas bem nascidas, mal fadadas
Reis com coroa mas sem terem um reinado

Contos sem fim mas o princípio estava ali
E de tudo o que escutei só percebi
Não se ouvem estrelas, sem se ter um dia amado.

CANTATA DE GRILOS

Oiço uma orquestra de grilos
Não sei se cantam
Se me encantam
Griiiiii griiiiii griiiiiii
Grilo pequenino no teu buraquinho
Como enches o meu olhar
Vestido de smoking e asas a vibrar
Consegues fazer-me sonhar
Num salão de baile me estou a imaginar
Nos braços de alguém
Que tal como eu    Ao ouvir o teu trinar
Também se deixaria encantar
E nos seus passos me iria levar
Contra o seu peito me aconchegar
E bailar   rodopiar   cantar
Ai grilinho   griiiiii   griiiii
Porque é que eu não sei dançar?

DOMINGO DE PÁSCOA

(Ressureição de Cristo - Gregório Lopes - Museu Nacional de Arte Antiga)

A TODOS OS MEUS AMIGOS DESEJO
PÁSCOA FELIZ

LUMEN CHRISTI

PÁSCOA - Palavra de origem Hebraica que significa passagem.
A celebração Cristã simboliza a transição da morte para a vida.
A luz de Jesus Cristo gloriosamente ressuscitado nos dissipe as trevas do coração e do espírito.

SEXTA-FEIRA da PAIXÃO DO SENHOR 15h A Hora de Noa

(Mosteiro dos Jerónimos)
Planearam Sua morte em silêncio
Assustaram com gritos o povo
E num lenho pregaram Seu corpo
À Hora de Noa o Senhor morreu

Por nosso amor
Morreu O Senhor
Numa cruz
Morreu O Senhor
Recomendou
Dar a vida como irmãos
Em sinal de amor

É a hora de Noa na terra
As sirenes de alarme soaram
Mas ninguém se decide a acordar
E o meu Irmão chora
E o meu Irmão morre
E o clamor da Sua voz não nos dói
E o meu Irmão morre

É a Hora de Noa na terra
É a hora da fome e da morte
É a hora do ódio e da guerra
É a Hora de Noa
Quando sofre o meu povo
Quando cresce a dor e o engano
Quando falta o Amor
(Cântico)

TRÍDUO PASCAL - CEIA DO SENHOR

       (Capela Sistina, Cósimo Rosselli, Última Ceia)
Primeira Epístola do Apóstolo São Paulo aos Coríntios

Eu recebi do Senhor o que também vos transmiti: o Senhor Jesus, na noite em que ia ser entregue, tomou o pão e, dando graças, partiu-o e disse: «Isto é o Meu Corpo, entregue por vós. Fazei isto em memória de Mim.» Do mesmo modo, no fim da ceia, tomou o cálice e disse: «Este cálice é a nova aliança no Meu Sangue. Todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de Mim.» Todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciareis a morte do Senhor, até que Ele venha.